quarta-feira, fevereiro 28, 2007

dois era um

enquanto eu caminhava você vinha e

sem pensar muito fui me acostumando a essas tantas vozes diárias

sem aperceber do vão que me causara

e como o passar das horas tinham diferentes pesos.

me olhava quase em transe.

nem cogito a possibilidade de falar das inúmeras medidas

como se disso tirasse algum proveito...

essas sempre fomos mestres em abandonar.

bem sei eu que isso tudo não passava de um jogo

e talvez por esse costume de brincarmos com o indevido

desses que te ensinei no respiro fraco e contínuo dos dias

acabamos por largar de vez nossos lugares-borboleta de antes

e com esses olhos embaçados você acompanhava cada ranço meu.

porque como sabe bem, essa maneira de lidar com o tempo a dois

na realidade de nossos dias impensáveis, apenas um esquivo,

tem lá seus riscos e não seríamos nós que mudaríamos isso.

e só quando eu cheguei bem perto

vi finalmente na sua negação o desespero inútil contra o tempo

e percebi que não poderia conceder-lhe minha mão

que mais uma vez venceu. e digo-te, com um certo asco (quem diria!)

que você começava a aceitar que dali por diante

sem deixar de sentir o sabor de lágrima me inundar a boca :

agora um era dois.


*nian.pissolati

2 comentários:

lucas disse...

Genial, cara.
Chega a dar um nó na cabeça, um nó de duas pontas, uma verde e outra vermelha. Mas o laço, olhado no final, é branco, mas só de perto, né?

maria disse...

quando tem estréia de lucas?